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quarta-feira, 8 de abril de 2009

Agência Brasil - Governo quer privatizar bondes com modelo “Frankenstein”, dizem moradores de Santa Teresa - Direito Público

 
5 de Abril de 2009 - 14h04 - Última modificação em 5 de Abril de 2009 - 14h04


Governo quer privatizar bondes com modelo “Frankenstein”, dizem moradores de Santa Teresa

Isabela Vieira
Repórter da Agência Brasil

 
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Rio de Janeiro - Ao mesmo tempo que avança a restauração dos bondes de Santa Teresa, com a previsão da entrega de mais uma composição restaurada neste mês, o governo estadual promete para este semestre o projeto de licitação do sistema. A associação de moradores do bairro é contra. O argumento é de que a privatização vai encarecer a passagem de R$ 0,60 e desmontar todo o sistema, deteriorando o serviço.

O presidente da Associação de Moradores de Santa Teresa (Amast), arquiteto Paulo Saad, denuncia “desprezo” com os bondes. Ele reclama que os moradores não são ouvidas pelo governo, que ainda não comprovou o déficit gerado com o sistema, mas que impõe um novo modelo de transporte, inclusive, com uma composição modelo “Frankenstein”.

Há quatro anos, por meio de um convênio com Banco Mundial, o governo estadual destinou R$ 14 milhões para a recuperação dos bondinhos de Santa Teresa. As obras ainda não terminaram, mas moradores e funcionários reclamam que parte da reforma está mal feita e que os novos bondes não atendem às especificidades do bairro, como as ladeiras.

“Com uma gestão eficiente, dá para os bondes funcionarem perfeitamente com a mecânica do Século 20 e com rentabilidade”, afirmou Saad. Segundo ele, as demissões de funcionários, a reforma inadequada do sistema e um bonde “Frankenstein”, o governo provoca “com total desprezo, o desmonte do sistema”, que inclui trilhos, rede aérea, composições, 116 empregados e a comunidade.

Os mecânicos confirmam o “desmonte”. De acordo com eles, a rede aérea está péssima, os trilhos mal colocados e o novo bonde não se adequou. Os mecânicos também acham que a nova composição restaurada é mais frágil, tem menos mobilidade e vive com problemas. Recentemente, chegou a disparar com o motorneiro. Além disso, como o novo bonde é eletrônico, a manutenção é mais cara e lenta, pois, depende de técnicos especializados.

“Ao destruir todo o sistema de suporte e manutenção do bonde, a única opção para mantê-los é construir outro. Isso é o que querem. Estão fazendo um [bonde] Frankenstein, que não tem funcionado. [O Frankenstein] é sensível e instável, sem condições de trafegar. Essa mudança tecnológica é suporte para a privatização e não condiz com o bonde popular, que precisa resistir a uma via instável, compartilhada com ônibus e carros”, protestou Saad.

Como os bondinhos são tombados, o projeto de reforma passou pelo crivo do Instituto Estadual do Patrimônio (Inepac), que autorizou a restauração, desde que o visual original fosse mantido. O diretor-presidente do Inepac, Marcus Monteiro, informou que um conselho acompanhou e aprovou o trabalho na oficina da empresa contratada para o serviço.

Segundo Monteiro, ao término da recuperação, o Inepac fará nova avaliação. “O bonde não é para ficar no museu. Era preciso modernizar para dar mais segurança e conforto. O governo afirmava que a manutenção estava impraticável”, afirmou.

Antes da licitação do sistema, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), onde tramita novo processo de tombamento dos bondes, disse que também precisava ser ouvido. O objetivo seria garantir “que os bondes no modelo antigo continuem existindo”.

“A nova administração deverá oferecer manutenção adequada, por exemplo”, afirmou o superintende do Iphan no Rio, Carlos Fernando de Andrade. “Não significa que Santa Teresa não ganhará novos bondes, mas que os antigos vão continuar.”

Quatro anos após o início da reforma, a Secretaria de Transportes investiu R$ 3 milhões nos bondinhos e R$ 9 milhões em cinco de um total de 15 quilômetros de trilhos. Os custos são levados em conta na modelagem da licitação, elaborada por uma consultoria e tratada também no âmbito da Secretaria de Planejamento. Quando concluída, deve ser apresentada em audiência pública.

 

 



 


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