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quarta-feira, 10 de junho de 2009

Agência Brasil - Operação prende 41 pessoas suspeitas de envolvimento com milícias no Rio - Direito Público

 
9 de Junho de 2009 - 13h52 - Última modificação em 9 de Junho de 2009 - 19h02


Operação prende 41 pessoas suspeitas de envolvimento com milícias no Rio

Flávia Villela e Vítor Abdala
Repórter da Agência Brasil

 
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Rio de Janeiro - Policiais civis e militares prenderam 41 pessoas na manhã de hoje (9), numa operação que buscava 66 envolvidos na milícia que atua na Zona Oeste da cidade do Rio Janeiro. Entre os presos estão 16 policiais militares e três policiais civis. Entre os procurados, há 24 policiais militares, seis policiais civis, um bombeiro e um agente penitenciário. A operação deve se estender no período da tarde, segundo a assessoria da Polícia Civil.

Batizada de Têmis (deusa grega guardiã dos juramentos dos homens e da lei), a ação conta com cerca de 250 policiais civis de 16 delegacias distritais e de seis especializadas, além de 190 policiais militares. Segundo a Secretaria de Segurança Pública do Estado, esta é a maior operação conjunta para desarticular a milícia da Zona Oeste, chefiada pelo ex-policial militar, Ricardo Teixeira da Cruz, o Batman.

Desde 2007, quando a polícia iniciou o combate às milícias no Rio de Janeiro, já foram presas cerca de 200 pessoas, sem contar o saldo desta terça-feira.

As milícias são grupos armados que, há alguns anos, começaram a assumir o controle de favelas e bairros mais carentes do Rio de Janeiro. Formadas principalmente por integrantes e ex-integrantes da polícia e do corpo de bombeiros, segundo denúncias, estas quadrilhas armadas extorquem moradores e comerciantes destas regiões, além de controlar o transporte alternativo e explorar serviços ilegais, como TV a cabo clandestina.

A primeira atuação de milícias que se tem notícias no Rio de Janeiro ocorreu na favela de Rio das Pedras, localizada em Jacarepaguá, na zona oeste da cidade, no final da década de 70. O último levantamento, realizado pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Milícias, da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), mostra que estes grupos controlam pelo menos 170 áreas do estado, a maioria na capital.

Entre 2005 e 2008, investigações da Polícia Civil revelaram que milícias mantinham também seus tentáculos na política. O então deputado estadual Natalino Guimarães e o seu irmão, o então vereador Jerominho, foram apontados pela polícia e, posteriormente, pelo Ministério Público como integrantes de um grupo chamado de “Liga da Justiça”, que atua na zona oeste do Rio de Janeiro. Apesar dos dois ex-parlamentares negarem envolvimento com a milícia, ambos foram presos neste ano por determinação da Justiça.

Em outro processo, um outro parlamentar, desta vez o deputado estadual Jorge Babu (sem partido), foi denunciado pelo Ministério Público por envolvimento com milícias. Acusados de integrarem a quadrilha, um fuzileiro, um bombeiro e policiais, entre eles um coronel da Polícia Militar, também foram precos

Perante as comunidades onde atuam, as milícias se justificam como provedores de um serviço de segurança privada, que impediria a ação de assaltantes e traficantes de drogas nestes locais. Mas as diversas investigações que existem sobre estes grupos no Rio de Janeiro revelam que há envolvimento dos chamados “milicianos”, com crimes como homicídio, agressão, extorsão, porte ilegal de armas, exploração de máquinas de caça-níqueis, ameaça e prática de tortura.

Em maio de 2008, uma equipe do jornal O Dia, disfarçada, fazia reportagens na Favela do Batan, na zona oeste do Rio, sobre a milícia que atuava no local. Ao serem descobertos, os integrantes da equipe e um morador foram submetidos a uma sessão de tortura e depois expulsos da favela. 




Edição: Talita Cavalcante  


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