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quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Agência Brasil - Chilenos não se esquecerão da ditadura mesmo se direita vencer eleições, diz embaixador - Direito Internacional

 
8 de Dezembro de 2009 - 19h00 - Última modificação em 8 de Dezembro de 2009 - 19h00


Chilenos não se esquecerão da ditadura mesmo se direita vencer eleições, diz embaixador

Renata Giraldi
Repórter da Agência Brasil

 
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Brasília - Às vésperas das eleições presidenciais no Chile, as diferenças percentuais entre os três candidatos são mínimas. Pesquisas de opinião indicam que há chances de a coligação de centro-direita retornar ao poder, depois de 20 anos de redemocratização do país, que viveu uma das ditaduras mais violentas da América Latina. As pesquisas mostram ainda que a popularidade da atual presidente, Michelle Bachelet, não será suficiente para dar a vitória a seu candidato.

Nos últimos dias, o debate esquentou com a possibilidade de revisão da Lei de Anistia. O embaixador do Chile no Brasil, Álvaro Díaz, negou que a eventual vitória Miguel Sebastián Piñera, da coligação Alianza (centro-direita), ameace os avanços alcançados em seu país e na América Latina.

Para o diplomata, ao assumir o governo, se vitorioso, Piñeira deverá manter algumas ações já efetivadas e não poderá fugir de discussões, como a questão da Lei de Anistia. “No Chile ninguém esquece o que se passou. Ninguém esqueceu o que houve no Chile [no período do governo militar, de 19973 a 1990]”, afirmou Díaz, em entrevista à Agência Brasil.

“Não acredito que Piñeira vá dilapidar seu patrimônio político fazendo bobagens”, acrescentou o embaixador. Pesquisas recentes mostram que o empresário Piñera têm a maioria das intenções de voto, seguido pelo ex-presidente Eduardo Frei, da coligação Concertación (esquerda), de Bachelet, e Marco Enriquez-Ominami Gumucio, independente (que era ligado à Concertación).

Segundo Díaz, independentemente de quem será o vitorioso nas eleições do próximo domingo (13), as relações com o Brasil vão ser mantidas como uma prioridade de governo. Se houver segundo turno, será em 17 de janeiro. "Os quatro candidatos disseram que têm admiração pelo presidente Lula [Luiz Inácio Lula da Silva]. Eles disseram ter muita simpatia por ele”, afirmou Díaz.

O embaixador ressaltou o fato de a atual presidente, Michelle Bachelet, mesmo com 80% de popularidade, demonstrar dificuldades para fazer seu sucessor. Ele atribui ao fator “autonomia” do eleitorado um eventual fracasso do ex-presidente Eduardo Frei nas urnas. “Os chilenos distinguem quem é a presidente e quem é o candidato. As pessoas que apoiam a presidente não apoiam necessariamente o candidato [dela]. São dois estilos distintos. Há um momento de desgaste envolvendo a coligação Concertación [há 20 anos no poder]. O desafio é como fazer essa renovação.”

Díaz aponta o desgaste e o racha interno na Concertación como fatores que explicam o surgimento do chamado fator supresa nas eleições, que é o deputado Marco Enríquez-Ominami Gumucio, independente, de 36 anos, que aparece em terceiro lugar nas pesquisas de opinião. “Houve uma divisão na aliança Concertación e ele se desligou. É um candidato diferente, que apresenta novas propostas [Ominami mostra-se arrojado para os padrões chilenos em defesa do casamento entre pessoas do mesmo sexo e do direito ao aborto em situações específicas]”, disse o diplomata.

Para o embaixador, a definição das eleições deverá ficar para o segundo turno. “Ao que tudo indica, haverá segundo turno. Aí é uma nova eleição. Em caso de segundo turno, as forças estarão polarizadas entre os que apoiam a centro-direita e os que defendem a manutenção no poder da esquerda”. disse ele.



Edição: Nádia Franco  


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