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terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Agência Brasil - Deputado e historiador são contra instalação de Comitê dos Jogos Olímpicos no Gustavo Capanema - Direito Público

 
7 de Fevereiro de 2010 - 12h28 - Última modificação em 7 de Fevereiro de 2010 - 12h28


Deputado e historiador são contra instalação de Comitê dos Jogos Olímpicos no Gustavo Capanema

Vladimir Platonow
Repórter da Agência Brasil

 
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Rio de Janeiro - A ideia de instalar o Comitê Organizador dos Jogos de 2016 e a Autoridade Pública Olímpica no prédio do Palácio Gustavo Capanema, no centro da cidade, encontrou resistência na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). O deputado estadual Alessandro Molon (PT) teme o possível despejo de setores ligados às áreas da cultura e da educação com a chegada do comitê.

“Eu considero a iniciativa de despejar a cultura e a educação do Gustavo Capanema um desrespeito à história desse palácio, é à história da cultura e da educação no Brasil. É extremamente importante a realização das Olimpíadas, mas não é necessário, para os Jogos Olímpicos, retirar os servidores do local”, disse o deputado, que iniciou um abaixo-assinado em defesa da memória do palácio e pela preservação da cultura e da educação no prédio.

Segundo Molon, existem outros locais na cidade que podem abrigar a sede do Comitê Organizador, como a zona portuária, prevista para passar por um forte processo de revitalização.

A iniciativa também foi desaconselhada pelo historiador Milton Teixeira, um dos mais conceituados especialistas em patrimônio histórico na região central do Rio. “Eu não sei o tamanho do Comitê Olímpico e quantos funcionários serão envolvidos. Mas o palácio [Gustavo Capanema] tem uma série de limitações, pois sendo um prédio tombado não se pode alterar o interior, que é muito voltado a pequenos compartimentos, os lambris têm que ser mantidos, os móveis têm que ser originais ou réplicas perfeitas, e isso representa uma série de limitações”, afirmou.

Para o historiador, o comitê pode ser instalado em outros prédios públicos, que estariam subutilizados. “O próprio Palácio das Laranjeiras, que está vazio e sem nenhum uso”, sugeriu, referindo-se à sede residencial do governo fluminense.

Teixeira lembrou da importância histórica do Gustavo Capanema, construído entre 1937 e 1945 por grandes nomes da arquitetura brasileira e mundial, como Le Corbusier, com intervenções artísticas e paisagísticas marcantes.

“É um marco mundial de arquitetura moderna. Foi concebido por meio de um concurso vencido por Lucio Costa, que dividiu o projeto com sua equipe, que envolvia a nata da arquitetura moderna brasileira: Oscar Niemeyer, Affonso Eduardo Reidy, Jorge Machado Moreira, Ernani Vasconcelos e Carlos Leão. Depois de um tempo, Lucio Costa transferiu a chefia da equipe para Oscar Niemeyer, de modo que pode se dizer que foi a primeira obra que Niemeyer coordenou”, contou o historiador.

O palácio tem ainda obras de Cândido Portinari, jardins de Burle Marx e esculturas de Bruno Giorgi. Por causa de sua riqueza artística e histórica, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) iniciou um processo na Unesco para transformar o Gustavo Capanema em patrimônio da humanidade.



Edição: Aécio Amado  


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