2 de Fevereiro de 2009 - 19h42 - Última modificação em 2 de Fevereiro de 2009 - 19h42
Processo de articulação da juventude retrocedeu, avalia coordenador da Aldeia da Paz
Amanda Mota
Enviada Especial
Belém - O Fórum Social Mundial de 2009 não deu a atenção necessária aos jovens que foram à capital paraense participar das atividades do encontro. A avaliação é do coordenador da Aldeia da Paz e representante do acampamento intercontinental da juventude do Fórum Social Mundial de 2009, Thomas Enlazador.
Em entrevista à Agência Brasil, Enlazador declarou que houve perdas para juventude. Segundo ele, vários movimentos representativos da categoria não foram inseridos no processo de construção do acampamento. Para o representante, o comitê organizador local não conseguiu lidar com o acúmulo de trabalho que é típico desse tipo de evento.
"O processo de articulação da juventude retrocedeu neste fórum. A prova maior disso é que na Assembléia das Assembléias, a última atividade realizada, não tivemos nenhum representante da juventude para falar", lamentou.
Thomas Enlazador afirmou que na penúltima edição do fórum, em 2006, na Venezuela, haviam 35 mil acampados. Este ano, o local destinado aos jovens contou com 10 mil participantes.
"Não houve mobilização nem recepção para orientar as delegações que vieram para cá. Foram 10 mil acampados e apenas cinco mil impressões do manual do acampado."
Mesmo com as críticas, Enlazador destacou pontos positivos como a maior diversidade de povos e culturas e a instalação do acampamento em um dos locais de atividade do evento, a Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA).
Ele lembrou que, este ano, a Aldeia da Paz - um dos grupos de acampamento voltado para os jovens - promoveu a reciclagem dos resíduos orgânicos durante o FSM.
"Captamos até água de chuva para utilização no acampamento e conseguimos servir três refeições vegetarianas diárias de forma gratuita", comemorou.
"Foi o único lugar que conseguimos impedir a entrada de bebida alcóolica e, com isso, não ter estudantes embriagados ou se aproveitando disso para utilização de drogas, como infelizmente vimos em outras áreas de acampamento. Isso é uma falha de gerenciamento e direcionamento. É preciso passar para esses jovens qual é o espírito do fórum e como cada um deles pode ajudar a construir novas possibilidades de ocupação da juventude nesses processos de discussões que o fórum apresenta."
Enlazador afirma que já começou a trabalhar para que seja criada uma comissão efetiva que possa garantir melhorias nas próximas edições do Fórum Social Mundial.
"Estamos pleiteando com o conselho internacional a inserção de trabalho específico para juventude e de acampamento para que possamos criar uma comissão efetiva e definitiva e, com isso, garantir a melhoria e a compensação dos fatores negativos", concluiu.
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