31 de Julho de 2009 - 21h39 - Última modificação em 31 de Julho de 2009 - 21h39
Protestos em favor de Manuel Zelaya aumentam em Tegucigalpa
Roberto Maltchik
Enviado Especial da EBC
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Tegucigalpa (Honduras) - Os manifestantes que apoiam o presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, tomaram conta das ruas do centro da capital Tegucigalpa hoje (31). Milhares de pessoas marcharam por sete quilômetros para exigir a volta de Zelaya ao poder.
Ontem (30) o dia foi marcado por violentos confrontos com a tropa de choque da polícia e com soldados do Exército. Hoje, entretanto, os protestos foram pacíficos e os manifestantes chegaram ao Congresso de Honduras, que resiste em conceder a anistia política para Zelaya e para os militares que participaram do golpe de 28 de junho.
Houve tensão quando os manifestantes picharam muros de uma delegacia de polícia e quando foram saudados por aliados do movimento camponês, armados com facões. “Por favor, vamos fazer um protesto sem confusão”, pedia o líder da resistência contra o golpe, Rafael Alegria.
O número de apoiadores de Manuel Zelaya aumentou depois que um professor universitário foi ferido com um tiro na cabeça durante os protestos de ontem.
Os apoiadores do governo golpista foram orientados pela Confederação de Empresas Privadas, principal entidade de apoio ao governo de Roberto Micheletti, a não entrar em confronto com os manifestantes pró-Zelaya. O presidente em exercício tem o apoio da maioria da população e impõe a condição de que Manuel Zelaya não volte ao poder para deixar a presidência. “Sob nenhuma circunstância deixaremos que ele retorne ao poder”, garantiu Micheletti. A comunidade internacional, entrentanto, rechaça a proposta.
Micheletti também criticou o embaixador norte-americano em Tegucigalpa, Hugo Llorens, que ontem esteve na Nicarágua para conversar com o presidente deposto. O presidente em exercício classificou a visita como uma "intromissão" dos Estados Unidos em assuntos locais.
A esposa de Manuel Zelaya, Xiomara Zelaya, reapareceu em Tegucigalpa, após cinco dias na fronteira com a Nicarágua. Fez um discurso para os manifestantes e rejeitou a proposta de Micheletti. “Manuel Zelaya é o presidente da República de Honduras. Foi eleito pelo povo e seu mandato só termina em janeiro”, disse à Agência Brasil.
Os Estados Unidos reafirmaram que defendem o acordo proposto pelo mediador internacional, o presidente da Costa Rica, Oscar Arias, para que Zelaya volte ao poder, desde que não concorra à reeleição.
Observadores internacionais devem chegar a Honduras nos próximos dias para analisar a situação do país, mais de um mês depois do golpe em 28 de junho. O toque de recolher na fronteira prossegue de maneira ininterrupta por uma semana. Hoje, após 33 dias, o toque de recolher durante a madrugada foi suspenso na capital.
Para Octavio Sanchez, analista político local e ex-ministro da Cultura, a tensão no país deve prosseguir até janeiro, quando um novo presidente, a ser escolhido nas eleições de novembro, deve assumir. “O que teremos é uma redução no número de pessoas nos protestos, em ambos os lados”, afirmou.
Edição: Lílian Beraldo![]()
Agência Brasil - Protestos em favor de Manuel Zelaya aumentam em Tegucigalpa - Direito Internacional
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