quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Agência Brasil - Oposição promete ofensiva se Conselho de Ética arquivar processos contra Sarney - Direito Público

 
4 de Agosto de 2009 - 13h34 - Última modificação em 4 de Agosto de 2009 - 15h04


Oposição promete ofensiva se Conselho de Ética arquivar processos contra Sarney

Priscilla Mazenotti
Repórter da Agência Brasil

 
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Brasília - Diante da possibilidade de arquivamento dos processos contra o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), partidos de oposição negociam estratégia de ofensiva. A ideia é recorrer ao plenário do Conselho de Ética e contar com discursos em plenário para aumentar a pressão pela continuidade dos processos.

“Se todos os processos forem para o arquivo, o ambiente na Casa piora ainda mais. Não ficaremos acuados”, disse o senador Renato Casagrande (PSB-ES), da base aliada, fazendo referência às ásperas discussões de ontem (3) em plenário entre Pedro Simon (PMDB-RS), Renan Calheiros (PMDB-AL) e Fernando Collor (PTB-AL). “O que tivemos ontem poderá se repetir, mas num processo de disputa ainda mais intenso”, acrescentou Casagrande.

Os parlamentares alagoanos defenderam com duras palavras a permanência de Sarney na presidência do Senado e ameaçaram Simon, caso ele insista em pedir o afastamento de Sarney.

O presidente do colegiado, Paulo Duque (PMDB-RJ), convocou para amanhã (5) reunião para apresentar parecer quanto ao recebimento das denúncias contra Sarney. Ele não adianta o resultado do relatório, mas a oposição teme que Duque, por ser do mesmo partido de Sarney, determine o arquivamento das propostas.

“O senador Duque não tem competência para arquivar só aquilo que manifestamente for quebra de decoro. Em caso de ato secreto, como a Constituição exige publicidade, tem de se abrir investigação, não pode arquivar. E se ele arquivar, vamos nos reunir para derrubar”, disse Demóstenes Torres (DEM-PI).

PSDB, DEM, PDT, PT e PSB estudam ainda a divulgação de nota assinada por seus integrantes e também por senadores dissidentes de outros partidos, pedindo, mais uma vez, que Sarney se licencie do cargo até que as investigações no Conselho de Ética sejam concluídas. “Só aí já teríamos a maioria da Casa”, explicou Demóstenes.

O senador Wellington Salgado (PMDB-MG), do grupo que defende a permanência de Sarney, é cauteloso. Para ele, é preciso esperar primeiro o relatório do conselho antes de decidir o que será feito. De acordo com Salgado, as gestões que registraram o maior número de atos secretos foram as de Garibaldi Alves (PMDB-RN) e Tião Viana (PT-AC).

"Por que denunciar só o presidente Sarney, que aparece em terceiro ou quarto lugar? Isso demonstra uma situação política. Ou vale para todos, ou não vale”, afirmou Salgado.


 

Edição: Nádia Franco  


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