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domingo, 7 de dezembro de 2008

Agência Brasil - Enquanto não houver dignidade, as Farc sempre existirão, diz Ingrid Betancourt - Direito Público

 
5 de Dezembro de 2008 - 22h38 - Última modificação em 5 de Dezembro de 2008 - 22h38


Enquanto não houver dignidade, as Farc sempre existirão, diz Ingrid Betancourt

Ivy Farias
Repórter da Agência Brasil

 
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São Paulo - A ex-candidata à Presidência da Colômbia, Ingrid Betancourt, esteve hoje (5) em São Paulo, onde falou aos jornalistas sobre seu futuro político e as alternativas para acabar com a guerrilha na Colômbia. Ela também se encontrou com o presidente Lula.

Seqüestrada por militantes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) em 2002, Betancourt ficou mais de seis anos como refém dos guerrilheiros.

"Enquanto as pessoas não puderem trabalhar com dignidade, se não houver recursos, as pessoas migrarão para o narcotráfico, para o tráfico de armas. Se a sociedade não der uma resposta, sempre existirão outras Farc", disse.

Ingrid Betancourt foi resgatada em julho deste ano numa operação planejada pelo Exército da Colômbia. Agora percorre os países da América Latina levantando a bandeira do resgate dos reféns que ainda permanecem em poder das Farc.

Betancourt se encontrou com o presidente Lula, em São Paulo, para agradecer o apoio do governo brasileiro pela sua libertação.

"O encontro com Lula foi transcendental. Falar das Farc era politicamente incorreto, porque era como fazer publicidade para eles. Lula sempre falou sobre isso, se empenhou para me libertar", disse.

A visita ao presidente brasileiro ocorreu na representação da Presidência da República na capital paulista. Ingrid Betancourt entregou a Lula uma carta do presidente da França, Nicolas Sarkozy, para reafirmar o compromisso pela libertação dos reféns.

"Este foi um ano negro para as Farc com a morte de seus líderes. É hora de intensificar a luta contra eles", disse

De acordo com a ex-refém, a solução contra a guerrilha "não vai cair do céu. Os presidentes do mundo todo têm que se mobilizar para resolver esta questão, já que falamos de um mundo globalizado".

Ingrid Betancourt disse que durante o tempo que permaneceu como refém das Farc nunca percebeu qualquer preocupação ideológica dos seus integrantes.

"Eles não gostam de ser chamados de terroristas, mas desde que usaram o sequestro e se aliaram ao narcotráfico eles estão fazendo terrorismo como método de luta. Nunca vi nenhuma preocupação ideológica como melhorar a questão das mulheres colombianas ou cuidar das crianças abandonadas", revelou.

A ex-refém das Farc falou da atual fragilidade da guerrilha que estaria enfraquecida com a morte e a prisão de seus principais líderes.

"Não vejo futuro para as Farc. Ou eles morrerão ou vão se regenerar, mas, para isso, precisam sintonizar-se com os problemas da Colômbia, ter uma reflexão própria sobre o país. Mas para vencer, eles precisam convencer o povo de outra forma que não seja matando", disse.

Ingrid descartou retomar sua carreira política: "Não quero nenhum cargo na política. Passei sete anos na selva, e sei que não quero ser é uma política colombiana. Não gosto dessa política 'politiqueira' de pequenas coisas, gosto de seguir meus valores, meus princípios", afirmou.

Ao encerrar a coletiva, Ingrid Betancourt mostrou um documento com nomes de brasileiros que lhe enviaram mensagens solidárias no tempo em que esteve no cativeiro. "Quero deixar registrado meu agradecimento especial ao [deputado] Fernando Gabeira e ao [senador] Eduardo Suplicy".






 


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