27 de Novembro de 2008 - 18h49 - Última modificação em 27 de Novembro de 2008 - 20h19
Jovem indígena reclama da falta de debate sobre exploração sexual na proximidade das aldeias
Juliana Cézar Nunes e Mariana Jungmann
Enviadas Especiais
Marcello Casal Jr/ABrRio de Janeiro - Único representante dos jovens indígenas brasileiros no 3º Congresso Mundial de Enfrentamento da Exploração Sexual contra Crianças e Adolescentes, Kâhu Wêrimehi, 18 anos, reclama da falta de debate sobre a exploração sexual nas áreas próximas às aldeias. O encontro reúne, no Rio de Janeiro, cerca de 300 jovens de vários países, convidados a debater o tema e apresentar soluções.
Rio de Janeiro - O índio Pataxó Kâhu Wêrimehi fala sobre a exploração sexual de crianças e adolecentes nas aldeias indígenas
Na oficina destinada a discutir o assunto, foram convidados dois especialistas: um mexicano e, outro, canadense, que falaram sobre a população indígena e aborígene dos seus respectivos países.
“Não fomos convidados. E as comunidades indígenas brasileiras enfrentam muito a questão da exploração sexual. Na minha comunidade, Pataxó, em Porto Seguro, as meninas indígenas são aliciadas para turismo sexual. Já recebemos também várias denúncias de outras comunidades que estão sofrendo com isso, principalmente em áreas com grandes obras”, alerta Kâhu.
“O único jovem indígena aqui sou eu. Não tivemos um espaço pra falar, nem uma oficina sobre a situação nas aldeias. Precisamos de todo o apoio possível para tratar esse problema. As crianças e adolescentes indígenas se tornaram alvo fácil da rede de exploração sexual.”
A socióloga Marlene Vaz, uma das principais especialistas em exploração sexual do Brasil, concorda que o congresso peca por não trazer debates sobre questões emergentes ou mesmo sobre como integrar políticas públicas para atender comunidades vulneráveis e isoladas. “O Brasil tem políticas públicas bem conceituadas, que são referência para o mundo. Mas ainda precisamos discutir a aplicação dessas políticas”, ressalta Marlene Vaz.
“Conheço pouco da realidade indígena, mas por matérias jornalísticas tenho visto que a situação é grave. As meninas saem das comunidades para conseguir dinheiro e depois voltam para aldeia. A mídia está mostrando isso, mas o governo ainda não está agindo como deveria. Infelizmente, esse debate também não está presente neste congresso, pelo menos até o momento.”
No que diz respeito à exploração sexual em áreas próximas às grandes obras, a socióloga sugere que os Centros de Referência em Assistência Social (Creas) sejam expandidos nas cidades próximas às áreas indígenas, especialmente na Amazônia. Para Marlene Vaz, também é fundamental a ampliação da assistência social às famílias.
“Nessas grandes obras, a mão-de-obra local precisa ser absorvida para que as famílias não aceitem viver da exploração sexual de crianças e adolescentes. Enquanto isso não for feito, as obras serão mesmo um ponto de atração para exploração de meninas, indígenas e não-indígenas.”
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