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sábado, 6 de dezembro de 2008

Agência Brasil - Ministério Público aponta que Força Sindical pode ter desviado recursos do FAT - Direito Público

 
26 de Novembro de 2008 - 21h56 - Última modificação em 26 de Novembro de 2008 - 22h56


Ministério Público aponta que Força Sindical pode ter desviado recursos do FAT

Elaine Patricia Cruz
Repórter da Agência Brasil

 
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São Paulo - O Ministério Público Federal (MPF) instaurou um novo inquérito para apurar supostas irregularidades que teriam sido cometidas pelo deputado federal Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força Sindical. O inquérito foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF) e o relator do caso será o ministro Celso de Mello.

O inquérito pretende investigar a razão pela qual a Força Sindical, presidida por Paulinho, contratou a  Fundação João Donini, sem licitação, para ministrar cursos profissionalizantes para desempregados e pessoas de baixa renda utilizando recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), do Ministério do Trabalho e Emprego. A denúncia contra Paulinho havia sido publicada hoje (26) no jornal Folha de S.Paulo.

A Polícia Federal em Marília (SP) já havia investigado essa contratação irregular. Mas como Paulinho é deputado e goza de foro privilegiado, o processo saiu da 1ª Vara Federal de Ourinhos (SP) e foi encaminhado para as instâncias superiores.

Segundo a denúncia, o Ministério do Trabalho teria firmado três convênios com a Força Sindical, em 1999 e 2000, para que a central presidida pelo deputado proporcionasse cursos profissionalizantes gratuitos. Para cumprir um dos acordos, a Força Sindical teria contratado, por R$ 215 milhões, a Fundação João Donini, localizada em Piraju (SP). A fundação teria que ministrar cursos a 1,05 mil trabalhadores.

O problema, segundo foi apurado pelo MPF em Ourinhos, é que 26.991 nomes de alunos matriculados nos cursos e 24.948 números de CPF se repetiam, o que poderia configurar desvio de recursos do FAT. Havia casos em que um mesmo aluno havia sido matriculado mais de uma vez para o mesmo curso, ministrados até mesmo em cidades ou estados diferentes.

Em entrevistas aos policiais federais, alguns alunos que estavam matriculados no curso profissionalizante disseram não se lembrar de terem efetuado a inscrição ou de tê-lo freqüentado.

De acordo com o documento da Procuradoria-Geral da República encaminhado ao STF, o contrato da Força Sindical com a Fundação João Donini  foi contestado pelo Tribunal de Contas da União (TCU) e pela Controladoria-Geral da União (CGU), por ter sido feito sem licitação e por conter algumas irregularidades, como a não-comprovação de que a Fundação João Donini possuía mais de cinco anos de experiência no ensino profissional.

Como justificativa aos dois órgãos, a Força Sindical e o Ministério disseram que a repetição de nomes pode ter sido provocado pela ocorrência de homônimos (pessoas diferentes com nomes idênticos) e que o uso repetido de CPFs pode ter sido motivado por erros no sistema de migração de dados ou por casais que usam o mesmo número do documento.

A Agência Brasil procurou o advogado de Paulinho e de João Francisco Donini, da Fundação João Donini, para tentar esclarecer a denúncia, mas não obteve sucesso. Já a assessoria do deputado disse que ele não iria se pronunciar sobre o caso. O Ministério do Trabalho não retornou ligações feitas pela reportagem.



 


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