17 de Agosto de 2009 - 08h52 - Última modificação em 17 de Agosto de 2009 - 11h05
Integrantes dos acampamentos têm de cumprir algum tipo de tarefa
Pedro Peduzzi
Repórter da Agência Brasil
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Marcello Casal Jr./AbrBrasília - Todos os integrantes dos acampamentos têm de cumprir algum tipo de tarefa. “Em geral, atividades organizacionais ligadas às áreas de saúde, higiene, educação, hospedagem, segurança e de animação, como teatro, música e atividades físicas e esportivas”, explica Cedemir, Oliveira da Coordenação Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).
Brasília - Integrantes do MST, acampados em Brasília durante Jornada Nacional de Luta, participam de atividade cultural programada pelo movimento
“Gosto daqui porque tem muita união e companheirismo. E a gente sabe que se não se organizar vai ter muita dificuldade para conquistar as coisas. Na minha região, a situação é muito complicada, e qualquer coisa de ruim que acontece fica do conhecimento de todo mundo, principalmente por causa das notícias da televisão”, disse José Bento, um senhor com quase 70 anos que já foi carroceiro em Goiânia, e que entrou no MST por sugestão de um funcionário do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).
José Bento faz muitas críticas à forma como o MST é abordado pela grande mídia. “Nunca deram atenção especial para as coisas daqui que não envolvem política. Só falam das coisas ruins e se esquecem que muita gente já foi recuperada e teve oportunidade de ser alguém por causa do MST”, afirma.
O agricultor – que costuma andar descalço “para descansar os pés” – se dirigiu à equipe da Agência Brasil pedindo para que sua opinião sobre o MST fosse “contada no jornal”. Segundo ele, “Muita gente que não prestava descobriu o companheirismo no MST e agora são pessoas de boa atitude”. Ele fez uma pausa, em meio ao depoimento, para observar a multidão até visualizar Henrique Pereira Nobre, um ex-menino de rua, hoje com 21 anos, que vive no mesmo assentamento de José Bento. “Ele mesmo é um exemplo”, garante.
“Eu bebia muito, mas não cheguei a usar drogas”, disse Henrique, que chegou no MST a convite do irmão. “Aqui eu passei a ter um objetivo para a minha vida. Descobri que plantar e colher é um caminho legal”, acrescentou. “E as regras daqui me ajudaram a progredir na roça e virar um camponês”, completou. Henrique ainda não tem terra para cuidar e a solução foi plantar nas terras de amigos e receber parte da produção.
As atividades previstas pela organização do acampamento em Brasília terminaram pontualmente às 22 horas. Havia ainda tempo suficiente para os últimos bate-papos e para se informar sobre as atividades previstas para o dia seguinte. “Não é toque de recolher. Quem quiser tomar sua cervejinha e continuar a conversa pode, mas em outro lugar”, explica Marina dos Santos, da Coordenação Nacional.
Às 23 horas, silêncio. Regras são regras.
Ediçaõ: Tereza Barbosa![]()
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