5/8/2010
Conselho estuda implantação de sistema digital de registro de imóveis na Amazônia Legal
O secretário-geral adjunto do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Marcelo Berthe, e o juiz auxiliar da presidência Antônio Carlos Alves Braga Júnior conheceram, nesta segunda-feira (02/08), a tecnologia utilizada pelo 1º Cartório de Registro de Imóveis de São Paulo, um dos mais modernos do país. Desde a última semana, os juízes visitaram cartórios no Brasil e na Europa, com o objetivo de analisar as ferramentas digitais utilizadas nessas unidades, para subsidiar o desenvolvimento de um sistema de registros para serventias da Amazônia Legal.
O projeto está sendo desenvolvido por grupo de trabalho do CNJ, responsável por propor e desenvolver medidas para modernizar os cartórios de registro de imóveis da região, no intuito de prevenir conflitos por terras e garantir a paz social. O projeto de modernização dos cartórios da Amazônia Legal envolve várias ações, entre elas a digitalização dos cartórios de registros de imóveis da região, destaca Berthe.
Na última semana, integrantes do grupo estiveram na Espanha e em Portugal para conhecer a tecnologia e os procedimentos adotados nos cartórios desses países. Estamos analisando os benefícios das novas tecnologias e avaliando se elas não comprometem a segurança dos documentos. Vamos utilizar as ideias colhidas para desenvolver um sistema digital de acordo com as especificidades da Amazônia Legal, sem abrir mão do registro em papel, que garante a segurança e longevidade dos arquivos, destaca Braga.
Espanha Em Madri, capital espanhola, os representantes do CNJ conheceram o sistema baseado na tecnologia de georreferenciamento, que utiliza modelos gráficos digitais e mostra a localização exata da propriedade no mapa. No país, o Colégio de Registradores reúne em uma central em Madri informações das 1.100 unidades de registro espalhadas nas diversas províncias espanholas. A ferramenta facilita o acesso às informações sobre os registros de terra no país, além de facilitar o controle. No centro de processamento de dados funciona um relógio oficial de registro imobiliário que registra a hora em que um ato de registro é feito em todos os cartórios do país. Isso evita a sobreposição de registros, já que vale aquele que foi registrado primeiro, explica Braga.
Até o mês de setembro, a Espanha deverá concluir a base gráfica nacional de registro imobiliário. A ferramenta permite que registradores visualizem no mapa as propriedades que estão em sua circunscrição, podendo adicionar camadas digitais com a localização de reservas ambientais, recursos naturais, defesa pública, planejamento urbano entre outros. A manipulação desses módulos gráficos pode ser útil na modernização dos registros de imóveis da Amazônia Legal, avalia Braga. A ferramenta poderá contribuir, por exemplo, para o controle das áreas de proteção ambiental, do avanço de queimadas, desmatamento e pastos.
Portugal No país, nos últimos três anos, todas as unidades de registro de imóveis foram informatizadas e mais de três milhões de horas foram empregadas na formação de funcionários e registradores. Todos os dados de registros imobiliários estão integrados em uma base única do Ministério da Justiça e não se usa mais papel. A desburocratização foi um dos pontos positivos verificado pelo grupo em Portugal. O processo de compra de uma casa com financiamento no país, que antes envolvia pelo menos sete órgãos diferentes, atualmente é resolvida em um balcão de atendimento com um único documento que reúne todas as informações cadastrais do cidadão. A idéia é que, com a incorporação das novas tecnologias, os serviços cartoriais da Amazônia Legal se tornem mais ágeis, seguros e eficientes, completou Braga.
MB/MM
Agência CNJ de Notícias
CNJ
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