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quinta-feira, 25 de junho de 2009

Agência Brasil - Minc assina concessão do Parque Lage à Escola de Artes Visuais do Rio - Direito Público

 
20 de Junho de 2009 - 18h03 - Última modificação em 20 de Junho de 2009 - 18h16


Minc assina concessão do Parque Lage à Escola de Artes Visuais do Rio

Luiz Augusto Gollo
Repórter da Agência Brasil

 
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Rio de Janeiro - A assinatura do termo de concessão por 20 anos do Parque Lage - situado dentro do Parque Nacional da Tijuca, no bairro carioca do Jardim Botânico - ao governo do estado, nesta tarde (20), reuniu o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, e as secretárias estaduais de Cultura, Adriana Rattes, e do Meio Ambiente, Marilene Ramos, num ato revestido de solenidade e com forte conteúdo emocional. Ali funciona a Escola de Artes Visuais (EAV) do governo fluminense, criada em 1975 como espaço de criação, reflexão e protesto contra a ditadura militar, em seu período mais duro para a cultura e as artes.

“Esta concessão simboliza a união da cultura com a ecologia”, disse Minc, aplaudido pelas secretárias e pelas dezenas de pessoas reunidas ao redor da piscina de pedra, que serviu de cenário para a célebre cena da feijoada no filme Macunaíma, de Joaquim Pedro de Andrade. O clima era de descontração e sorrisos, “coroando uma luta de um ano e meio contra a burocracia de Brasília”, nas palavras do ministro. Ele explicou que desde sua posse no ministério, há um ano, defendia a concessão do Parque Lage para a EAV, esbarrando em obstáculos da Secretaria de Patrimônio da União (SPU), do Ministério do Planejamento.

“Depois de muita conversa com o  Paulo Bernardo [ministro do Planejamento], prevaleceu o entendimento de que a SPU cuida do patrimônio, não da gestão. Assim, esse espaço de cultura, de convívio, de fantasia e loucura continuará nas mãos da Escola de Artes Visuais pelos próximos 20 anos, prorrogáveis por mais 20 e mais 20, dentro da Floresta da Tijuca, que é responsabilidade do Instituto Chico Mendes." O ministro discursou em tom emocionado, refletindo o estado de espírito da maioria dos presentes.

Na noite da sexta-feira (19), véspera da assinatura do termo de concessão, alunos da escola e artistas participaram de uma performance ao redor da piscina, lembrando exatamente a filmagem de Macunaíma, em meados da década de 70. Foi também inaugurada a exposição O Jardim da Oposição, com fotos da época da luta libertária contra a censura e a opressão da ditadura, depoimentos gravados em vídeo por protagonistas e participantes daquela luta e impressos variados que circulavam entre os jovens da Escola de Artes Visuais, dirigida por seu idealizador, o artista plástico Rubens Gerchman.

A EAV ocupa o palacete onde viveu a cantora lírica Besanzoni Lage, uma construção sólida erguida em pedra no meio do parque que leva seu nome, aos pés do Morro do Corcovado e do Cristo Redentor. Durante os chamados "anos de chumbo" ali se apresentaram sem censura Caetano Veloso, Jards Macalé, Luiz Melodia e um dos mais frequentes, o violinista Jorge Mautner. A escola também foi palco dos concertos de música de Joaquim Koellreuter e ainda sede do Instituto Freudiano do Brasil e do jornal Lampião da Esquina, fundado pelo novelista Aguinaldo Silva e primeira publicação homossexual a se firmar no universo da imprensa alternativa.

“Este espaço da Escola de Artes Visuais está disponível, em caráter oficial, a promover peças de teatro, exibição de filmes, fazer lançamento de livros, exposições, apresentações artísticas e musicais, leilões beneficentes - é para a escola fazer e acontecer. É proibido proibir!”, encerrou o discurso o ministro Minc, com o termo de cessão erguido na mão.

A Escola de Artes Visuais funcionava em situação precária, ou seja, sem concessão. A partir de agora seu funcionamento está dentro da lei - o que é a principal conquista, na opinião tanto da secretária de Cultura quanto dos vários ex-alunos e colaboradores que participaram da festa, abrilhantada pelo grupo Chorando Baixinho, da Escola de Música Villa-Lobos, que sob o comando do professor Genivaldo Soares executou peças de Abel Ferreira, Pixinguinha, Jacob do Bandolim, Luiz Americano e outros.




Edição: Andréa Quintiere  


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