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sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Agência Brasil - Amorim diz que paz no Oriente Médio depende apenas de vontade política - Direito Público

 
15 de Janeiro de 2009 - 20h15 - Última modificação em 15 de Janeiro de 2009 - 20h15


Amorim diz que paz no Oriente Médio depende apenas de vontade política

Mylena Fiori
Repórter da Agência Brasil

 
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Brasília - A paz no Oriente Médio depende apenas de vontade política, na avaliação do ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim. “Os elementos centrais para que ocorra a paz estão dados – o que falta é vontade política de concretizar a paz”, afirmou hoje (15) o chanceler, recém-chegado de viagem de três dias que fez a Israel, Palestina, Síria e Jordânia.

Na viagem pelo Oriente Médio, Amorim, fez um apelo à comunidade internacional: que todos os países pressionem Israel e Palestina para que cumpram a Resolução 1860 da Organização das Nações Unidas (ONU), que determina o imediato cessar-fogo na Faixa de Gaza. A resolução foi votada pelo Conselho de Segurança da ONU no dia 9 deste mês e aprovada por 14 votos, com abstenção dos Estados Unidos.

“Estamos numa situação especialmente grave em que uma resolução do Conselho de Segurança não está sendo respeitada. É fundamental que a comunidade internacional se mobilize”, disse Amorim, em entrevista coletiva em Brasília.

Para ele, não são apenas as populações da Palestina e de Israel que estão em perigo. Está em jogo a credibilidade da ONU e do Conselho de Segurança. “Além da importância evidente que tem, que é fazer parar as mortes e o sofrimento, o cumprimento da resolução é indispensável para que as Nações Unidas e o Conselho de Segurança continuem a ter um mínimo de credibilidade. Se não houver esse cumprimento, seremos jogados numa 'lei da selva' nas relações internacionais, e creio que isso não interessa a ninguém”, afirmou. “Os membros permanentes do conselho deveriam zelar para que essa resolução seja cumprida o mais rápido possível”, completou.

Segundo o ministro, há consenso quanto a três requisitos para o fim do conflito e a retomada do processo de paz entre Israel e Palestina. Além do cessar-fogo, são essenciais a retirada das tropas de Israel da Faixa de Gaza e a abertura das fronteiras para passagem de pessoas e bens. “O cessar-fogo não pode estar sujeito às conveniências políticas ou avaliações militares de qualquer uma das partes.”

Após o cessar-fogo, disse Amorim, é fundamental a retomada do processo de paz. A Resolução 1860 destaca a necessidade de realização de uma conferência internacional nesse sentido, em abril, em Moscou. Na viagem ao Oriente Médio, Amorim levou proposta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para realização de uma cúpula de líderes antes deste prazo.

“É preciso, de uma vez por todas, encontrarmos o caminho da paz , o caminho que garanta os dois Estados, mas têm que ser dois Estados viáveis”, afirmou. “A Palestina também tem que ser um Estado viável, não pode estar totalmente dividida, impossibilitada de existir como um Estado economicamente viável, e Israel tem que existir em segurança, mas as coisas têm que ocorrer juntas.”

O chanceler revelou que, em conversa que teve com a ministra dos Negócios Estrangeiros de Israel, Tzipi Livni – principal candidata ao cargo de primeiro-ministro –, frisou a necessidade do país manter boas relações com as nações vizinhas. “Dei essa opinião franca à ministra. Não há segurança absoluta que se baseie apenas no aspecto militar. Somos amigos de Israel, mas não achamos que há futuro de Israel, ele se transformando numa espécie de bunker, cercado de países que, por todos os lados, tenham ressentimentos variados”, relatou.

De acordo com Amorim, o Brasil está disposto a considerar novas doações à Faixa de Gaza – esta semana foram enviadas seis toneladas de medicamentos e oito toneladas de alimentos aos palestinos afetados pelo conflito. Ele descartou, no entanto, o envio de forças, nos moldes da assistência ao Haiti. Descartou também a a adoção de medidas de retaliação a Israel, como a decisão dos governos da Bolívia e da Venezuela de romper relações diplomáticas com o país.



 


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