19 de Janeiro de 2009 - 16h53 - Última modificação em 19 de Janeiro de 2009 - 16h53
Setores da indústria paulista utilizaram mais de R$ 2,9 bilhões do FAT, diz Lupi
Ivan Richard
Repórter da Agência Brasil
Brasília - O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, apresentou hoje (19) a relação dos setores econômicos do estado de São Paulo que realizaram operações de crédito com recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). Ao todo, 17 segmentos da economia paulista pegaram empréstimos de mais de R$ 2,9 bilhões do fundo, a juros entre 5% e 6% ao ano, mais Taxa de Juros de Logo Prazo (TJLP).
A apresentação dos dados foi uma resposta do ministro ao presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, que, na semana passada, desafiou o ministro a mostrar a relação das empresas que haviam utilizado recursos do FAT. Anteriormente, Lupi criticou as indústrias que tomaram empréstimos com recursos do FAT e, mesmo assim, demitiram trabalhadores.
De acordo com a lista divulgada por Lupi, o setor de comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas tomou quase metade dos recursos, no total de R$ 1.192 bilhão. A indústria de transformação ficou logo atrás com o total financiado de R$ 1.157 bilhão.
Lupi reiterou que a continuidade dos financiamentos com recursos públicos têm de estar condicionada à manutenção do emprego.
“O Fundo de Amparo ao Trabalhador, que tem um montante R$ 160 bilhões em depósitos aplicados no BNDES [Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social] e o FGTS [Fundo de Garantia pelo Tempo de Serviço], que tem aplicado em torno de R$ 200 bilhões no Banco do Brasil e na Caixa Econômica Federal, por lei, esses dois recursos visam amparar o trabalhador e gerar emprego. Se esses dois recursos não atingirem seus objetivos, não tem porque continuar emprestando dinheiro a quem desemprega, a quem demite”, afirmou Lupi.
O ministro acrescentou ainda que, durante reunião com ministros do trabalho da América Latina e representantes da Organização Internacional do Trabalho (OIT), na semana passada no Chile, foi assinado um documento em que todos os representantes dos países reiteram a importância de condicionar o empréstimo de recursos públicos à manutenção dos postos de trabalho. As propostas do documento devem ser encaminhadas para debate a outras instâncias multilaterais como o G20 e o G8.
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