16 de Janeiro de 2009 - 17h57 - Última modificação em 16 de Janeiro de 2009 - 17h57
Vendas no Rio desaceleram e varejistas pedem por redução de juros
Alana Gandra
Repórter da Agência Brasil
Rio de Janeiro - A expectativa de crescimento das vendas do comércio varejista do Rio de Janeiro, calculado em torno de 4% a 4,5%, não se confirmou devido à crise financeira internacional.
Foi o que constatou a Federação do Comércio do Estado do Rio de Janeiro (Fecomércio) em pesquisa feita no período das festas. No Natal, as vendas ficaram no mesmo patamar do mesmo período em 2007. E, segundo o economista da entidade, Christian Travassos, a projeção é de que o primeiro trimestre também seja conturbado para o comércio fluminense, em função do patamar elevado dos juros.
Segundo Travassos, a previsão de crescimento de até 4,5% não se concretizou em função de “uma conjuntura de juros mais elevados e de efeitos da crise mais visíveis”. O ideal, de acordo com a expectativa dos varejistas do estado, seria o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central optar, já na próxima reunião (que ocorre nos dias 20 e 21), pela redução da taxa básica de juros (Selic).
Os comerciantes também esperam que medidas adotadas pelo governo como a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), e o maior fôlego dado ao Imposto do Renda, surtam efeito no consumo. O IR de 2009 tem duas novas faixas de dedução.
Travassos afirmou que o comércio vinha crescendo, à média anual, entre 8% a 10%. Para 2009, a estimativa ainda é de crescimento, apesar da crise, mas em um patamar inferior, de até 5,5%. “É claro que os segmentos que dependem mais do crédito, como veículos e motos, devem sofrer mais, porque a gente tem, no campo externo, maiores restrições a captações de crédito, e isso se reflete na taxa de juros”, observou. O economista ressaltou que os juros elevados dificultam a aquisição de produtos de maior valor agregado.
No que diz respeito ao emprego, Travassos disse que o comércio não tem sentido o efeito da crise na mesma proporção do que vem ocorrendo em São Paulo ou Minas Gerais. Isso ocorre, de acordo com o economista, porque o comércio de bens, serviços e turismo no Rio de Janeiro tem um peso muito maior na economia local.
O setor vinha mostrando tendência crescente do emprego até novembro do ano passado, mas houve desaquecimento do mercado de trabalho no final do ano, com menos contratações temporárias. Segundo Travassos, a perspectiva é de desaceleração do emprego nos próximos meses, em função da crise.
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