9 de Janeiro de 2009 - 18h06 - Última modificação em 9 de Janeiro de 2009 - 18h41
Eduardo Paes quer demolir elevado da Perimetral para revitalizar zona portuária do Rio de Janeiro
Vladimir Platonow
Repórter da Agência Brasil
Rio de Janeiro - O elevado da Perimetral pode estar com os dias contados. Pelo menos essa é a disposição do prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes. Ele quer derrubar o viaduto de sete quilômetros construído sobre a Avenida Rodrigues Alves, e que faz a ligação do centro da cidade e da zona sul com as regiões norte, oeste e a Ponte Rio-Niterói.
Paes confirmou hoje (9) sua vontade em dar um fim ao elevado como uma das medidas para revitalizar a zona portuária, mas disse que a decisão final ainda não está tomada. “Eu acho que seria fantástico para a cidade. Não é uma decisão tomada, ainda, porque a gente não tem o impacto e o custo disso. Nós só vamos anunciar em março. Mas que é um desejo, é um sonho, não tenha dúvida”, afirmou.
Entre as alternativas para a demolição do elevado, estariam a construção de mergulhões, o desvio do trânsito por vias internas dos bairros da região ou a construção de uma nova pista paralela ao porto. O elevado hoje é considerado vital para desafogar o trânsito da capital. Por dia, são 94 mil veículos circulando em suas quatro pistas, que nas horas de pico chegam a ficar congestionadas.
Para o engenheiro civil e professor de Engenharia de Transportes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Giovani Manso, a demolição do viaduto é um absurdo e um desperdício de dinheiro público. Ele reconhece que a revitalização de áreas degradadas como a zona portuária é um motivo nobre, mas diz que o dinheiro gasto na construção de mergulhões daria para fazer várias estações de metrô, por exemplo.
“Pela lei de responsabilidade fiscal, o orçamento [da Prefeitura] já está praticamente comprometido. Demolir o elevado soa como absurdo. É gastar quatro vezes o dinheiro público: uma para construir, uma para demolir, outra para fazer os mergulhões e outra para não solucionar o problema do trânsito”, afirmou.
De acordo com Manso, antes de pensar em demolir o elevado é preciso reorganizar a malha viária urbana: “Retirar essa via vai representar um impacto que a cidade não tem como substituir com nenhuma outra forma. A não ser que se fizesse toda uma reestruturação do sistema de transportes e se oferecessem alternativas de massa. Onde vão colocar 94 mil veículos por dia?”.
O elevado da Perimetral, construído entre os 60 e 70, está integrado ao sistema de trânsito rodoviário do Rio de Janeiro, baseado em grandes avenidas, vias expressas, túneis e pistas elevadas. "Atualmente quem dirige no Rio de Janeiro passa a metade do tempo em cima de elevados ou dentro de túneis", disse o engenheiro.
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