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terça-feira, 28 de julho de 2009

Agência Brasil - Passageiros de fretados reclamam de transtornos no primeiro dia de restrições em São Paulo - Direito Público

 
27 de Julho de 2009 - 19h21 - Última modificação em 27 de Julho de 2009 - 19h21


Passageiros de fretados reclamam de transtornos no primeiro dia de restrições em São Paulo

Flávia Albuquerque
Repórter da Agência Brasil

 
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São Paulo - As alterações realizadas pela prefeitura de São Paulo válidas a partir de hoje (27) para os ônibus coletivos particulares, os fretados, causaram transtornos e irritação para os usuários que vêm de outras cidades para trabalhar na capital paulista.

A prefeitura determinou a proibição da circulação desse tipo de transporte de segunda a sexta-feira, das 5h às 21h, em uma área de 70 quilômetros quadrados denominada Zona Máxima de Restrição de Fretamento (ZMRF). Com as alterações, os fretados ficam proibidos de circular em algumas das principais vias da cidade e obrigam os usuários a descer em pontos específicos, de onde devem ir até o local de trabalho ou estudo usando transporte público. A prefeitura delimitou 13 bolsões de embarque e desembarque para os passageiros.

A secretária Simone Rivas Garcia, moradora da cidade de Praia Grande, no litoral sul paulista, contou que sua primeira impressão sobre as mudanças foi muito ruim. A rotina de Simone foi totalmente alterada incluindo a necessidade de acordar uma hora mais cedo, às 4h da manhã, e trocar de linha e local de embarque perto de sua casa. Além dos transtornos, a mudança gerou preocupações para a secretária que leva a filha de 11 anos para a escola todos os dias.

“Ela estuda próximo do metrô Santa Cruz, por onde o ônibus passava e nós descíamos na porta do colégio. Agora temos que descer no metrô Conceição [cerca de 5 quilômetros de distância da outra estação] onde hoje demorei 15 minutos para conseguir desembarcar do fretado, e pegar o metrô até a escola, onde ela entra às 6h50. Depois eu pego outro metrô até o centro, onde trabalho. E na volta é a mesma coisa para buscá-la. Terei uma despesa de R$ 15,30 a mais por dia, além da demora maior.”

Ela enfatizou que não há só o prejuízo financeiro, mas também o emocional e psicológico. “Se continuar assim, mudar é o único jeito. É uma vida lá, montei uma casa, minha estrutura está toda lá [em Praia Grande], é horrível ter que refazer tudo o que se fez, que se planejou. Se eu não fizer isso tenho que deixar minha filha [em São Paulo]. Não mexe só com o bolso e o tempo da pessoa, mexe com famílias”

Já o analista de sistemas Fábio Giusti, residente em Santos há oito anos, pensa em dar outra solução para o transtorno. Ele pretende deixar na capital paulista um dos carros que possui na Baixada Santista. A ideia surgiu depois da complicada chegada ao metrô Imigrantes, outro ponto de desembarque determinado no projeto da administração municipal.

“Perdi meia hora de sono, entrei na fila no metrô Imigrantes que estava um caos, já que ali não há vazão para todas as pessoas. Fiquei na fila do lado de fora do metrô, na rua, embaixo de chuva, sem cobertura. No meio do tumulto acabei cortando o dedo, e depois de tudo isso cheguei atrasado meia hora por causa do metrô cheio. De metrô eu já vi que não dá.”

Ele relatou ainda que o local destinado ao desembarque de passageiros - conhecido como bolsão - não foi suficiente para os cerca de 40 ônibus que estavam tentando parar no local. “Tanto é que a CET [Companhia de Engenharia de Tráfico] mandou o meu ônibus nem entrar no bolsão e parar mais para frente. A despesa para vir de Santos para São Paulo de carro é muito maior, mas tem gente que vai se reunir para vir de carro, dividindo a despesa. Muita gente vai optar por isso, a não ser que o prefeito volte atrás.”

A advogada Marisa Beraldes Silva, residente em Campinas, trabalha nas proximidades da estação de metrô Santa Cruz, onde o ônibus fretado a deixava. Com as mudanças ela está obrigada a descer cerca de oito quilômetros antes, na estação de metrô Sumaré, uma das 13 áreas de desembarque determinada pelo projeto. “Agora sou obrigada a descer em um metrô e em um bolsão que não oferece nenhuma infraestrutura. Hoje com o dia chuvoso, tive que descer e andar até o metrô Sumaré para ir até a estação Santa Cruz de onde tenho que andar mais.”

Marisa é também coordenadora de umas das linhas que vêm de Campinas e contou que muitos dos passageiros do ônibus que ela coordena já estão pensando em parar de trabalhar em São Paulo ou mesmo começar a vir de carro. “São muitas pessoas prejudicadas com essa medida arbitrária, tomada sem tempo para que se organizasse uma estrutura melhor. Os passageiros desses ônibus não são qualquer coisa, são executivos em sua maioria. E estamos sendo tratados como marginais”, reclamou.

Edição: Lílian Beraldo  



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