19 de Fevereiro de 2009 - 17h03 - Última modificação em 19 de Fevereiro de 2009 - 18h26
Suplicy leva ao Senado carta em que Battisti pede que italianos perdoem seus atos
Marcos Chagas
Repórter da Agência Brasil
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Brasília - O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) apresentou hoje (19) uma carta de oito páginas, escrita a mão e com a assinatura de Cesare Battisti, na qual o escritor questiona o que motiva o governo da Itália a se empenhar pela sua extradição. Na carta, Battisti também faz um apelo ao “lado cristão” dos italianos para que seus atos sejam perdoados.
O escritor e ex-ativista do movimento Proletários Armados para o Comunismo reconhece, na carta, ter feito parte de um período da história italiana “escrita a sangue, suor e lágrimas”. No entanto, destaca que hoje o mundo vive um tempo de democracia, em que “barreiras e muros” foram derrubados.
Nesse sentido, Battisti pergunta se “não chegou a hora de a Itália mostrar seu lado cristão” e acrescenta que “o perdão é um ato de nobreza”. Por fim, pondera que, se é considerado um inimigo de seu país, “até os inimigos fazem trégua e se perdoam”.
Intitulada “Por que eu?”, a carta de Battisti afirma ainda que não existe o mesmo empenho do governo italiano na extradição de um compatriota que faz parte de uma organização nazi-fascista e reside no Brasil. Sem citar o nome desse italiano, o escritor diz que ele estaria envolvido no atentado de Bolonha, onde a explosão de bombas na principal estação ferroviária da cidade, em 1980, causou a morte de 82 pessoas.
Cesare Battisti também menciona na carta a forma diferenciada de reação do governo italiano a pedidos negados de extradição de ativistas de esquerda na década de 70. “Por que a Itália não agiu da mesma maneira quando Sarkozy [Nicolas Sarkozy, presidente da França] negou a extradição de Marina Petrella da França, cuja situação penal supera de longe a minha?”, questiona.
Na carta, lida em plenário pelo senador José Nery (P-SOL-PA), a pedido de Suplicy, que tinha vôo marcado para São Paulo, o escritor critica ainda o que chama de “imprensa marrom” que, segundo ele, tem feito de tudo para interferir negativamente nas decisões judiciais.
Battisti foi preso preventivamente no Brasil, em abril de 2007, e segue detido na Penitenciária da Papuda, no Distrito Federal, à espera da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o processo de extradição, após a concessão do refúgio pelo governo brasileiro, no dia 13 de janeiro. Dois dias depois (15), a defesa de Battisti entrou com uma petição no STF para que o tribunal autorizasse a saída do italiano da prisão.
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