11 de Março de 2009 - 15h29 - Última modificação em 11 de Março de 2009 - 16h38
Mutirão Carcerário beneficia presidiárias do Rio de Janeiro
Flávia Villela
Repórter da Agência Brasil
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Brasília - O 3º Mutirão Integrado do Sistema Carcerário, iniciado nesta segunda-feira (9), já beneficiou cerca de 20 detentas das unidades prisionais femininas Talavera Bruce e Joaquim Ferreira de Souza, localizadas em Bangu, zona oeste da cidade.
A iniciativa é uma parceria entre o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e o Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro e envolve o trabalho de cinco defensores públicos e 25 funcionários da Vara de Execuções Penais, entre juízes e servidores.
No presídio Talavera Bruce, onde 321 mulheres cumprem pena em regime fechado, 20 detentas foram beneficiadas com um alvará de soltura, e 19 casos de progressão de regime e de livramento condicional (antecipação da liberdade ao condenado que depois de ter cumprido mais de metade da pena apresenta bom comportamento).A análise dos processos da unidade Joaquim Ferreira, que abriga 161 internas em regime semi-aberto, deve ser concluída ainda hoje, segundo o coordenador do Núcleo de Assistência Penitenciária da Defensoria Pública do Rio, Leonardo Guida.
De acordo com ele, a meta é que até amanhã (12), quando encerra o mutirão, todos os 482 processos das duas penitenciárias tenham sido revistos e que cerca de 100 mulheres sejam beneficiadas, 30 delas com o livramento condicional.
“São processos que geralmente demorariam meses para serem analisados e deferidos”, explicou Guida.
A presidiária Any Mary Cirilo, de 43 anos, que há 10 anos está presa por assalto à mão armada, foi uma das beneficiadas pelo mutirão. Condenada a 57 anos de prisão, Any teve progressão de regime e agora, cumprindo o restante da pena em regime semi-aberto, poderá sair do presídio para trabalhar.
“Quando sair daqui vou ao encontro da minha família, que sempre me apoiou muito. Vou aproveitar a experiência que ganhei aqui fazendo pão e trabalhar com isso. Vou resgatar tudo aquilo que perdi neste tempo que passei aqui”, disse lembrando o trabalho realizado pelas detentas na panificadora instalada no presídio.
Any Cirilo, no entanto, é uma exceção, segundo a defensora pública titular da unidade Talavera Bruce, Melissa Ourives Razuk. A defensora explicou que a maioria das detentas não quer o benefício semi-aberto e prefere esperar em regime fechado pelo livramento condicional.
“Há sobra de vagas no Joaquim Ferreira, onde o regime é semi-aberto. Isso, porque a unidade tem acesso complicado, porque muitas não têm a carta de emprego que possibilitaria o benefício do trabalho extra-muros, porque muitas não têm familiar para exercer o direito. Tudo complica.”
Melissa Razuk acredita que mutirões como esse serão necessários enquanto não houver um aparelhamento de todo o Judiciário.
“Precisamos de mais juízes, espaço maior para os cartórios, mais funcionários do Tribunal de Justiça, entre outras melhorias”. A defensora explicou que o que mais atravanca o deferimento dos benefícios e a libertação das internas é o excesso de processos na Vara de Execuções Penais.
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Gilmar Mendes, esteve na unidade para acompanhar as atividades do mutirão e anunciou que para desafogar os processos e diminuir a burocracia será implementada ainda neste ano uma Vara de Execução Penal virtual.
“Queremos criar uma nova institucionalidade. Para que os mutirões não sejam mais necessários, pois o controle do tempo de prisão será feito automaticamente, sem a necessidade de trabalho adicional”, afirmou Mendes.
Segundo o CNJ, além dos presos provisórios, hoje existem cerca de 22 mil presidiários no Rio de Janeiro, dos quais aproximadamente mil são mulheres.
O primeiro Mutirão Integrado no Sistema Carcerário foi lançado no Rio em agosto de 2008, quando foram concedidos 641 benefícios em dois presídios. O segundo foi realizado em janeiro deste ano no presídio Vicente Piragibe, em Bangu e 473 presos foram beneficiados. Desde então já foram organizados mutirões nos Estados do Pará, Piauí e Maranhão que resultaram em 1.261 liberdades condicionais e 792 solturas.
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Agência Brasil - Mutirão Carcerário beneficia presidiárias do Rio de Janeiro - Direito Público
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